Política

Base de Crivella se articula para esvaziar Câmara Municipal e evitar processo de impeachment

A imagem do prefeito ficou desgastada pela revelação da atuação dos "Guardiões do Crivella" - servidores da prefeitura escalados para atrapalhar e impedir o trabalho da imprensa

03/09/2020


Na imagem o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella

O Estado de S. Paulo

Vereadores da base de Marcelo Crivella (Republicanos), pré-candidato à reeleição, pretendem não marcar presença na sessão marcada para esta quinta-feira (3) na Câmara Municipal do Rio para discutir pedido de abertura de processo de impeachment do prefeito. Diferentemente do ano passado, quando os governistas derrotaram a oposição por 35 votos a 13 na votação do pedido de afastamento, não há segurança de que o resultado se repita agora. A imagem do prefeito ficou desgastada pela revelação da atuação dos “Guardiões do Crivella” – servidores da prefeitura escalados para atrapalhar e impedir o trabalho da imprensa.

Dois pedidos de impedimento foram protocolados na terça-feira, 1, um dia depois de reportagem da TV Globo revelar a ação dos funcionários comissionados do município em frente a hospitais municipais. No mesmo dia, Polícia Civil abriu inquérito para investigar indícios de crimes como peculato, constrangimento ilegal e associação criminosa. Nesta quarta, 2, a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio pediu à Promotoria que investigue se o prefeito cometeu crime eleitoral. Oficialmente, a prefeitura afirmou que os “Guardiões do Crivella”, como são chamados em grupos de WhatsApp, tentavam apenas divulgar informações corretas.

O requerimento está na pauta desta quinta-feira, 3. Se for a votação, a chance de Crivella enfrentar um processo de impeachment é grande. O episódio envolvendo os comissionados tem levado vereadores “indecisos” a migrar para a oposição. Entre eles há candidatos, e o temor é que o eventual apoio a Crivella impacte negativamente na votação.

O Regimento da Casa exige presença mínima de 26 dos 51 vereadores para abrir a sessão, e aprovação por maioria simples (metade mais um) dos presentes para o pedido ser acatado. Um processo de impeachment durante a campanha eleitoral agravaria sensivelmente a situação de Crivella. Apesar disso, o possível andamento não deverá ser capaz de afastar o prefeito do cargo antes do segundo turno, em 29 de novembro.


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