Política

Com aprovação em alta e receio de derrotas, Bolsonaro tenta atrair MDB para base aliada

Como gesto à legenda, Bolsonaro escolheu Temer como chefe da missão que presta ajuda ao Líbano. O MDB tem a quinta maior bancada da Câmara, com 35 deputados

15/08/2020


Correio Braziliense

Com a saída do MDB do chamado blocão da Câmara dos Deputados, o presidente Jair Bolsonaro deu início a uma estratégia para garantir que o partido se mantenha alinhado nas principais votações de interesse do governo federal.

Para dissipar o receio de derrotas ou fragilidade na Casa, Bolsonaro tem se esforçado por uma aproximação com o ex-presidente Michel Temer (MDB), um dos caciques da legenda e indicado para chefiar a missão humanitária do Brasil no Líbano.

Além disso, o Palácio do Planalto mira também a presidência da Câmara. Ao trazer o MDB para perto, Bolsonaro busca aproximação com o deputado Baleia Rossi (SP), líder e presidente do partido, apontado como pré-candidato à eleição que definirá o sucessor de Rodrigo Maia (DEM-RJ). A articulação para ter os emedebistas como aliados é vista como estratégica também para garantir a popularidade do presidente.

Pesquisa Datafolha publicada nesta quinta-feira (13) mostra que Bolsonaro apresentou a melhor avaliação de governo desde o início do mandato. Segundo o levantamento, 37% dos brasileiros consideram seu governo ótimo ou bom, ante 32% da pesquisa anterior, realizada em junho. Mais acentuada ainda foi a queda na curva da rejeição. Caíram de 44% para 34% os que o consideravam ruim e péssimo. A avaliação regular passou para 27%, ante 23% em junho.

O MDB tem a quinta maior bancada da Câmara, com 35 deputados. O partido fazia parte do blocão, que tinha 221 congressistas, e foi criado formalmente para garantir ao grupo a maior parte das indicações de membros da CMO (Comissão Mista de Orçamento). A legenda, no entanto, buscava se afastar do chamado centrão, que reúne uma série de legendas que hoje atuam como base de Bolsonaro, justamente para se desconectar do governo e reafirmar posição de independência.

Para isso, o MDB decidiu sair do blocão, já que este grupo além de ser composto por boa parte das siglas do centrão, é também comandado por Arthur Lira (AL), líder do PP e principal representante desse segmento de deputados.
A formalização da saída do MDB ocorreu no dia 27 de julho, em uma decisão tomada com o DEM –ao todo, são 63 deputados. A decisão acendeu o alerta no governo.

Como gesto ao MDB, Bolsonaro escolheu Temer como chefe da missão que presta ajuda ao Líbano, palco de uma explosão que deixou 220 mortes, além de milhares de feridos.

Dirigentes do MDB já sinalizaram ao Planalto que a legenda votará sempre a favor de reformas consideradas estruturantes, como a tributária. A previsão é que a matéria seja apreciada neste segundo semestre. Eles não garantem, contudo, a mesma postura sobre as demais pautas.

A preocupação de Bolsonaro é de que a sigla reforce sua postura de independência em temas considerados estratégicos para a tentativa de reeleição, dificultando, por exemplo, a aprovação de vitrines eleitorais, como o Renda Brasil, uma reformulação do Bolsa Família, e a extensão com outro valor do auxílio emergencial.

A sucessão do presidente da Câmara é outro pano de fundo. No Planalto, já é dado como certo que o candidato que tiver o apoio de Rodrigo Maia terá votos tanto na esquerda como no centro e deverá polarizar a disputa com um dos nomes do bloco do centrão, atual aliado de Bolsonaro.

Segundo ministros palacianos, o favorito de Bolsonaro é Lira. Líder formal do blocão, com 156 deputados, ele comanda congressistas de PL, PP, PSD, Solidariedade, Pros, PTB e Avante. Lira, porém, é ainda líder informal do centrão. Entram aí partidos como Republicanos e PSC.

Com receio de antecipar a participação na disputa e referendar alguém sem vitória certa, Bolsonaro decidiu se afastar e movimentar peças que garantam a ele aproximação com outros pré-candidatos.


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