Internacional

Empresários e CPLP querem construir em Porto/Portugal novos negócios e parcerias comuns com Nordeste brasileiro

26/11/2019


Por Walter Santos

A Conferência Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa resolveu inserir na agenda de entendimentos e negócios o Nordeste brasileiro, de 2 a 4 de dezembro, em Porto/Portugal, depois que os governadores dos 9 estados resolveram abrir e atrair investimentos com os europeus. Agora, são os líderes políticos e econômicos da CPLP que querem criar novos negócios mútuos com o Nordeste brasileiro.

Esta é a síntese revelada pelo presidente da CE-CPLP, empresário moçambicano Salimo Abdula em entrevista EXCLUSIVA à Revista NORDESTE avaliando a posição dos empresários e países de língua portuguesa diante da conjuntura econômica global.

Ele revelou domínio histórico, econômico e cultural sobre o papel do Nordeste brasileiro na formação da sociedade brasileira e apostou forte na inovação e possibilidade mútua de investimentos. Eles aguardam representante do Consórcio Nordeste na conferência.

Eis a seguir  a entrevista na integra:

ENTREVISTA  COM PRESIDENTE DA CE-CPLP,  SALIMO ABDULA

Revista NORDESTE – Qual a expectativa do Sr para a nova rodada de negócios na Conferência Econômica da CPLP em Porto, Portugal?

SALIMO ABDULA – Esperamos dar continuidade ao sucesso desta iniciativa iniciada em Maputo em Maio de 2018 e que se espera que venha a acontecer anualmente nos países da CPLP. Este evento abriu portas ao debate mais determinante sobre a Livre Circulação de Pessoas, Bens e capitais na CPLP, o tribunal de arbitragem e a necessidade de uma CPLP mais econômica. Em Maputo, produzimos documentos que foram entregues a CPLP, contendo a contribuição da classe empresarial da CPLP no que diz respeito a propostas concretas sobre estes temas. Hoje, felizmente estamos a ver estes temas mais presentes no discurso dos governos e estamos a testemunhar algumas acções como supressão de vistos entre países da CPLP.

NORDESTE – Como o segmento empresarial da CE-CPLP, incluindo a participação das mulheres empreendedoras, encara a realidade econômica global com crises envolvendo EUA, China, etc, a afetar o universo da lusofonia?

SALIMO ABDULA – Como eu já tinha respondido em outra ocasião, eu penso que esta situação nos ensina a todos que devemos lutar pela nossa independência econômica a longo prazo e aprimorar algumas medidas para que no imediato soframos o menos possível com esta crise, que nos afeta a todos. A nosso ver, a CPLP deve continuar a perseguir a sua auto-suficiência econômica, lutar para se tornar um bloco econômico forte e coeso. Se a CPLP fosse um país, seria a 6ª maior economia do mundo, com potencial para crescer ainda mais. Em bloco, a CPLP deve aproveitar o seu potencial e implementar uma política de maior cooperação. Cada país deve se organizar para buscar parcerias a seu nível regional e abrir a sua economia para outros parceiros forte e coesos, e se possível, que sejam parceiros dentro da CPLP. Devemos trabalhar para diversificar as nossas economias e evitar a dependência em um ou outro sector.

NORDESTE – Há em curso uma articulação para que os governadores do Nordeste brasileiro enviem um representante para participar da Conferência. O que isto representa já que será a primeira vez desse diálogo de negócios e perspectivas?

SALIMO ABDULA – Como é natural, encaramos esta medida com muito entusiasmo porque entendemos que abre-se aqui uma oportunidade de aprendermos com a experiência do Nordeste brasileiro, e do Nordeste brasileiro aprender de nós e das nossas experiências, abre-se um espaço de diálogo onde poderemos aproveitar oportunidades de parte a parte para atingir os nossos objetivos. Os efeitos práticos, com certeza que veremos em médio a longo prazo, mas a expectativa é elevada.

NORDESTE – Como os Srs. vêem o potencial dos 9 estados nordestinos como novidade de negócios na CPLP?

SALIMO ABDULA – O Nordeste brasileiro é um pequeno mundo com particularidades incríveis a quase todos os níveis. São estados litorâneos com experiências no turismo, agricultura e cultura! Sabemos que foi uma das primeiras regiões que na era do colonialismo foi explorada economicamente, com plantações de cana de açúcar, cacau e outras em que se tornaram especialistas até hoje. As marcas históricas dos europeus como portugueses, holandeses e franceses que estão presentes nesta região do Brasil, contribuem incrivelmente para enriquecer o turismo na região, o mesmo a dizer sobre a cultura africana, que é uma marca de estados como a Bahia.

NORDESTE – Qual o papel do turismo e outros setores nos nove estados?

SALIMO ABDULA – Os paraísos ecológicos e riquezas naturais em Recife, João Pessoa, Salvador, fazem desta região um manancial de oportunidades turísticas. Em suma, a agricultura, extração vegetal e mineral, a indústria e comércio, as atividades turísticas, a cultura, entre outras, tornam a região nordeste do Brasil uma novidade para nós da CPLP por concentrar em uma só região, quase todos os mais importantes sectores de desenvolvimento que interessam aos países membros da CPLP. A experiência que o Nordeste já desenvolveu com o nascer e/ou renascer de projetos de agricultura, indústria e comércio de grande porte interessa-nos a todos. E pensamos que o Nordeste pode articular conosco excelentes canais para outros projetos de interesse que beneficiem parte a parte.

NORDESTE – Qual a expectativa final dos entendimentos em Portugal afora em dezembro?

Em primeiro, é preciso esclarecer que esta conferência acontece desta vez em Portugal, mas a sua dimensão é ao nível da CPLP, tal que, ano passado aconteceu em Maputo (Moçambique) e o próximo evento deverá acontecer em outro país da CPLP. Indo direto a questão: Como já afirmamos anteriormente, a expectativa é grande, mas essencialmente, esperamos que esta iniciativa se replique e venha a acontecer nos outros países da CPLP, de modo que a livre circulação de pessoas, bens e capitais na CPLP se torne cada vez mais uma realidade. Esperamos continuar a ver a implementação de medidas que eliminem barreiras de entrada dos cidadãos e empresários da CPLP em particular nos nossos países irmãos. Com estas barreiras eliminadas, mais facilmente os empresários dos nossos países poderão investir e fazer negócios entre irmãos da CPLP.

NORDESTE – Onde tudo vai chegar?

SALIMO ABDULA – Esperamos também que no final desta reunião, com a massiva participação e empenho dos empresários e governos da CPLP, que este evento seja assumido como uma obrigatoriedade na agenda da CPLP e tenha lugar pelo menos de dois em dois (2 em 2) anos, sempre a margem da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, traduzindo-se no mais alto ponto de diálogo público-privado com foco principal em uma agenda econômico-empresarial para uma CPLP mais forte e sustentável.

NORDESTE – Como o setor de inovação da CE-CPLP pode gerar mais investimentos e negócios na lusofonia lembrando o Caso de sucesso de Lisboa com startups?

SALIMO ABDULA –  Sem querer ser repetitivo, como eu já disse, nós continuamos a defender a Livre Circulação de pessoas, bens e capitais. Vou resumir isso em uma palavra: MOBILIDADE. A Mobilidade depende muito da inovação e a Inovação gera mobilidade, o que por sua vez, vai gerar também mais negócios na CPLP.
A CE-CPLP defende que não podemos falar em desenvolvimento e em crescimento econômico sem falar em Mobilidade e em Inovação. Hoje, a Europa é um dos exemplos de desenvolvimento e crescimento porque através dos mecanismos de mobilidade da União Europeia, permite que empresários dos seus diferentes países circulem com menor restrição no espaço europeu.

NORDESTE – Quais os efeitos concretos?

SALIMO ABDULA – A Tecnologia (Inovação) tem sido um aliado fundamental para a União Europeia, África (SADC em particular), para a América e para o Mundo desenvolverem e se tornarem cada vez mais fortes. Esta deve ser a nossa visão como CPLP, como Bloco econômico coeso que pretendemos ser.  Mobilidade e Inovação são temas que estão na órbita do desenvolvimento do Mundo. Como é natural, o sector empresarial da CPLP representado pela CE-CPLP, olha com atenção a estes temas, por considerar que a mobilidade de pessoas, bens e capitais, são alicerces vitais para o desenvolvimento econômico e social dos nossos países membros, tal como discutido Conferência Econômica e de Mercado, realizado em Maio de 2018, em Maputo – Moçambique.

NORDESTE – Como assim?

SALIMO ABDULA – A inovação joga um papel fundamental no que diz respeito a criação de soluções sustentáveis, e que oferecem alternativas às necessidades da nossa comunidade. Se não fosse pela inovação, não teríamos o largo desenvolvimento dos sectores produtivos e extractivos, e precisamos que estes cérebros brilhantes da CPLP (estudiosos, empresários e sociedade em geral) possam circular livremente para implementar a sua criatividade (inovação) nos nossos países irmãos e ajudarmos a desenvolver uns aos outros.


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