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ANUP seleciona mentoria frente à Primeira Infância como tema de projetos de universidades de todo o país

A pandemia causada pelo novo coronavírus não impediu que professores e alunos de 25 estados e do Distrito Federal buscassem melhorar a qualidade de vida da primeira infância no Brasil. Nos últimos meses 156 grupos inscritos no Desafio Universitário da Primeira Infância se debruçaram diante de projetos em diferentes áreas direcionados a estimular o desenvolvimento infantil.

Na semana passada a Associação Nacional das Universidades Particulares anunciou os 3 vencedores do Desafio em parceria com a fundação holandesa Bernard Van Leer.

Os três primeiros colocados receberam o prêmio de 10 mil reais cada para implementar suas propostas no primeiro semestre de 2021. Os vencedores foram: Projeto de assessoria técnica ao Conjunto José Monteiro Sobral (Universidade Federal de Sergipe), Futurus Infância (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e A criança com deficiência(s) do nascimento aos três anos: implementação e avaliação de um Programa de Intervenção Precoce (Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

De acordo com a gerente de Responsabilidade Social da ANUP, Júlia Jungmann, o desafio foi um sucesso. “Nos orgulhamos do processo de construção da metodologia, a qualidade e o comprometimento das equipes e do impacto que será causado quando os projetos forem implementados”, afirmou.

As dez equipes finalistas terão à disposição uma mentoria com especialistas em primeira infância para que todas as iniciativas sejam implementadas.

A presidente da ANUP, Elizabeth Guedes, agradeceu a participação dos alunos e professores que inscreveram seus trabalhos. “A ANUP existe para que possamos juntos lutar por uma melhor educação no Brasil. Sem os alunos e professores isso não seria possível. Pessoas que mesmo com todo o desafio da pandemia encontraram alegria e motivação para trabalhar com a Primeira Infância”.

Os destaques

Entre os três vencedores há projetos que já estavam em andamento e com o Desafio ganharam um novo olhar. É o caso do Projeto de assessoria técnica ao Conjunto José Monteiro Sobral. Desde dezembro do ano passado no município de Laranjeiras (Sergipe), alunos de Arquitetura e Urbanismo, Arqueologia, Comunicação, Serviço Social e Educação da Universidade Federal de Sergipe buscavam uma alternativa para estimular o desenvolvimento infantil. Dos 800 moradores da cidade, 13% são crianças e 85% desse grupo não possuem acesso à creche.

A proposta do grupo foi construir uma praça com a participação colaborativa das famílias e oferecer uma metodologia interdisciplinar com reuniões e oficinas em um processo cooperativo que permitirá o contato com a natureza e o estímulo ao desenvolvimento criativo. “O trabalho começou com o objetivo de atender toda a comunidade. O número alto de crianças e gestantes chamou nossa atenção e decidimos com o edital do Desafio qualificar a praça”, afirmou Heloisa Rezende, uma das representantes.

Durante a pandemia, os participantes deixaram de ir a campo, mas lançaram uma campanha para arrecadar mantimentos para as famílias do Conjunto José Monteiro Sobral e construíram um lavatório público para que todos pudessem realizar a higienização das mãos.

Márcio Pereira, outro representante do grupo, acredita que o Desafio aguçou o interesse das Universidades pelo tema. “Notamos que a Primeira Infância não é um assunto trabalhado dentro das instituições de ensino. Nossa intenção é que o projeto possa crescer e que chegue a populações indígenas, quilombolas e outras comunidades no interior de Sergipe”, explicou.

Já o Futurus Infância é um projeto para democratizar a saúde, educação e lazer na comunidade da Mangueira, no Rio de Janeiro, com foco em gestantes e menores de 6 anos.

Um grupo formado por alunos de Economia, Engenharia, Medicina e Odontologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro desenvolveu um aplicativo para disponibilizar informação sobre gravidez, amamentação e cuidados com o bebê e a criança, além de conectar os usuários a serviços de saúde gratuitos e de custo baixo que estejam próximos. Por meio da ferramenta, também será possível acionar o SAMU através de um botão no app em caso de emergência. “A intenção é estimular a busca por acompanhamento profissional, aumentando diagnósticos e indicadores de saúde da primeira infância”, explicou Rafael Pinho, um dos representantes do grupo.

Segundo dados levantados pelo grupo, das 300 pessoas nascidas em 2018 no local, aproximadamente 100 não contaram com atendimento pré-natal mínimo. Além disso, a Mangueira também possui uma média acima do índice nacional de gravidez na adolescência e de partos prematuros.

O terceiro destaque foi o projeto de alunos da Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Intitulado A criança com deficiência(s) do nascimento aos três anos: implementação e avaliação de um Programa de Intervenção Precoce, busca desenhar o perfil das crianças com deficiência e criar um plano de intervenção colaborativo com foco nas famílias. Considerando a integralidade do desenvolvimento infantil e o bem-estar das famílias, o grupo irá trabalhar uma nova forma de intervenção precoce de forma individualizada para o fortalecimento das competências dos cuidadores.

A equipe é transdisciplinar, composta por estudantes de Pedagogia, Psicologia, Fisioterapia, Medicina e Serviço Social. O grupo já realizava um projeto de pesquisa quando recebeu o edital do Desafio e notou que o trabalho que vinha sendo feito estava alinhado com as demandas do concurso. “Crianças com deficiência de 0 a 3 anos muitas vezes são invisíveis na sociedade. Não temos dados e nem muitas políticas públicas voltadas para elas e ter a oportunidade de dar visibilidade a esse público é um caráter inovador do trabalho e do desafio”, explicou a representante, Marlene Rozek.

Sobre a ANUP

 

Desde 1989 a ANUP trabalha em prol da educação no Brasil, intermediando a relação entre o poder público e as instituições de ensino superior privadas. É uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada para defender os interesses das universidades, faculdades e centros universitários particulares, estabelecendo o diálogo e a colaboração com os Poderes Públicos.

A associação tem como principal objetivo melhorar a qualidade do ensino superior. Atualmente conta com 246 instituições associadas e presentes em todo o país.


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