Piauí

Dia Mundial do Cuscuz: conheça o cuscuz de arroz gigante de 25 kg, o mais pedido em mercado tradicional de Teresina

Nesse sábado (19) é comemorado o Dia Mundial do Cuscuz. A data foi escolhida por ser também o dia de São José, e um marco no calendário para o momento de se plantar o milho, principal ingrediente do cuscuz.

Nos restaurantes, lanchonetes, no comércio ambulante e, claro dentro das casas do Piauí, o cuscuz é unanimidade. Seja de arroz ou milho, a receita está presente em pelo menos uma refeição do piauiense. E no Mercado da Piçarra, um dos mais tradicionais da capital, o g1 descobriu que o cuscuz de arroz de mais de 25 kg virou uma das paixões dos teresinenses.

Neste sábado (19) é comemorado o Dia Mundial do Cuscuz. A data foi escolhida por ser também o dia de São José, e um marco no calendário para o momento de se plantar o milho, principal ingrediente do cuscuz.

Um dos motivos que fazem o sucesso do cuscuz é ser um prato acessível. No Mercado da Piçarra, na Zona Sul de Teresina, uma fatia dos enormes “cuscuz-cabeça-amarrada”, essa versão tamanho família cozida em um pano, custa apenas R$ 3 a fatia e serve até duas pessoas.

Ele inteiro custa R$ 100, serve mais de 70 pessoas, já que rende pelo menos 40 fatias grandes. São 25 pacotes de flocos de arroz pra fazer o prato!

Com um ovo e café com leite, a primeira refeição do dia sai por R$ 7. Surpreendentemente, apesar de o cuscuz de milho ser o mais comum e tradicional, o cuscuz de arroz é o mais pedido no local.

O sucesso do cuscuz “gigante” é tão grande que o senhor Matias, o famoso Matias do Cuscuz, vende quatro deles por dia, só no Mercado da Piçarra, há 28 anos. Com a renda gerada pelo prato ele sustentou a família e criou as duas filhas.

“São coisas que eu gosto de fazer: cozinhar cuscuz e conversar com os colegas, com os clientes aqui no Mercado. Aqui são todos meus amigos. Mas a receita do meu cuscuz eu rasguei! Não passo para ninguém”, brincou.

Graça, dona de uma das bancas mais famosas de cuscuz no mercado, contou que o prato é ideal para começar o dia e também para terminá-lo. É que na sua banca aparecem tanto clientes que estão começando o dia como os que estão voltando de uma festa no final da madrugada. E a escolha dos acompanhamentos do cuscuz varia bastante.

“Aqui a gente abre as portas bem cedo, às 4h. […] Quando saem das festas eles gostam de assado de panela, mão de vaca, panelada… Mas os que chegam para tomar café da manhã preferem com ovo”, contou dona Graça.

Cuscuz de cada dia

O preço e o sabor fizeram o cuscuz tomar conta de todo o cardápio do servidor público João Gualberto. Enquanto saboreava o cuscuz do seu Matias, ele contou que tem substituído o arroz em todas as refeições.

“Meu pai fazia assim, e eu passei a fazer também: comer o cuscuz com toda comida: com feijão, com carne, com peixe, salada. É mais barato e muito nutritivo”, comentou.

Cuscuz pelo Brasil

 

No Centro de Teresina, o casal Raoni e Sariny Silva montou uma lanchonete especializada em cuscuz. Lá, eles oferecem o tradicional, com manteiga de garrafa e ovo, ou com recheios típicos da região: carne de sol com banana, queijo coalho.

Sendo Raoni, o cuscuz do casal se tornou refeição diária de pessoas que trabalham nas lojas do Centro.

“Também recebemos clientes que estão visitando o centro, mas o pessoal que trabalha é maioria. Eles queriam ter uma opção aos salgados, a esses lanches mais gordurosos. E agora têm”, disse.

Centenas de variações

A mais provável origem do cuscuz é o Norte da África, região de Marrocos, Argélia, Tunísia. De lá, foi levado para a Europa durante a invasão dos árabes à península ibérica e chegou ao Brasil, provavelmente pelos portugueses.

Inovações piauienses do cuscuz:

A receita foi considerada um Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco em dezembro de 2020. O prato é tão importante que atravessa vários povos, de países como Líbia, Tunísia, Marrocos, Mauritânia e Argélia. Além da receita, os métodos de preparo do milho e os saberes que envolvem a criação do cuscuz são considerados parte desse patrimônio.

Segundo o gastrônomo Carlos Lustosa, são muitas as formas de se cozinhar o cuscuz, ou mesmo de se produzir os flocos de milho ou arroz com que é feita a receita. No interior do Piauí, por exemplo ainda se faz cuscuz com os grãos de milho.

“Geralmente se rala o milho quando ele está na textura de assar ou um pouco mais seco. Rala, peneira e cozinha normalmente.

No Piauí, também é bastante conhecido o “cuscuz quarenta”, que tem como princípio escaldar a massa no leite fervido com manteiga e açúcar e alguma outro ingrediente para dar sabor, como cravo, canela, erva doce, casca de limão ou laranja.

Outra forma ainda bastante popular, de acordo com Carlos, é o cuscuz marroquino: um tipo de massa preparada com água, farinha de trigo e sêmola/semolina, que é esfregada até formar os pequenos grãos, que são cozidos no vapor.

Além disso, é claro, há dezenas de opções de acompanhamento.

“É possível variar bastante o cuscuz do nosso dia a dia, não só com acompanhamentos além dos tradicionais ovo, queijo, manteiga e carne de sol. Pode-se acrescentar na massa antes de descansar grãos como linhaça, quinoa, chia; ao invés de molhar só com água, pode colocar na água com algum tempero, como páprica, chimichurri, acrescentar ervas, hidratar com leite de coco”, listou o gastrônomo.

g1pi


Os comentários a seguir são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Recomendamos pra você


Receba Notícias no WhatsApp