Bahia

Prefeita é vitima de racismo na Bahia e recebe apoio de entidades

56 entidades do movimento negro e sindical emitiram uma nota condenando o racismo e perseguição política sofridos pela prefeita de Cachoeira (BA), Eliana Gonzaga.

Eliana é a primeira prefeita negra da cidade histórica. Na campanha eleitoral, ela foi alvo de ataques racistas em redes sociais. Antes da posse, recebeu um telefonema em que uma rajada de fogo foi disparada do outro lado da linha.

Após sua eleição, uma lista começou a circular com os nomes de seus familiares e aliados políticos, que relataram ameaças de morte.

Desde então, a prefeita os hospedou em Salvador e passou a andar com escolta armada e carro blindado.

“Consideramos um absurdo inaceitável que uma mulher negra democrática e legitimamente eleita seja mais uma vez alvo da violência de grupos autoritários e violentos que não aceitam a vontade de povo expressa pelo voto. Repudiamos as ameaças de mortes, os ataques racistas e misóginos”, diz a nota, cuja íntegra você pode ler abaixo:

“NOTA DE SOLIDARIEDADE À PREFEITA ELIANA GONZAGA DE CACHOEIRA

As entidades do movimento negro e do movimento social com histórica atuação na Bahia e no Brasil vêm manifestar seu repúdio e  extrema preocupação com as ameaças cotidianamente recebidas pela Prefeita Eliana Gonzaga eleita na cidade de Cachoeira- Bahia em 2020.

Eliana Gonzaga, primeira mulher negra eleita na cidade histórica de Cachoeira-Bahia, berço da resistência negra e da Independência do Brasil, desde o período da campanha eleitoral vem denunciando ataques racistas, machistas e ameaças de morte, tendo inclusive recebido ligações que simulavam um barulho de uma metralhadora atirando, numa nítida tentativa de intimidação. Recentemente, no último dia 14, em entrevista à rádio local, a Prefeita Eliana informou que continua sendo ameaçada de morte, desta vez em via pública. Segundo ela, no último domingo (11), homens a bordo de uma motocicleta tentaram intimidá-la em uma ação de drive-thru na cidade. Ao perceber a presença de policiais militares que notaram a atitude suspeita, os mesmos empreenderam fuga.

Consideramos um absurdo inaceitável que uma mulher negra democrática e legitimamente eleita, seja mais uma vez alvo da violência de grupos autoritários e violentos que não aceitam a vontade de povo expressa pelo voto. Repudiamos as ameaças de mortes, os ataques racistas e misóginos, conclamamos as autoridades competentes a apurarem e punirem os culpados. Não podemos permitir que o feminicídio político de mulheres negras que vitimou Marielle Franco se torne cotidiano no país.”


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